Estava deitada havia um certo tempo ouvia apenas o ruido dos sinos se debatendo um contra os outros e então abriu os olhos cor de mar. Seu cabelo estava muito desarrumado, mas nem por isto ligou. Era o início de um novo século, de uma nova era e ela havia prometido para si mesmo que hoje e amanhã seria diferente. Então com um prazer vindo da luz que atravessava seu corpo e penetrava em sua alma, a garota se levantou.Passando a mão pelos móveis de carvalho sentia o cheiro matinal das flores e descobriu que lá que deveria estar. Correu então com seu vestido pesado para fora, a luz do céu já se camuflava com seus olhos de ressaca e seus pensamentos agora domavam com tanto medo que ela não sabia do que era capaz. E como era incapaz, correu para bem longe em direção ao sol, e continuou correndo até que encontrasse e que a razão penetrasse em sua alma e a mesmo pudesse ser lavada. Via os pássaros voando conforme ela levava seu medo para longe. Foi quando bem de longe avistou um lago negro. Sentia a escuridão vindo dele e fechou os olhos e quando os abriu novamente, sabia o que deveria saber. Tirou o pesado vestido verde escuro e rosa e o deixou no chão. Caminhando rumo ao brinde da morte ela molhava agora a ponta dos dedos, voltou a fechar novamente os olhos e mexeu a cabeça em sinal de aprovação. A água já batia por mais que sua cintura e logo estava em sua nuca. Não fraquejou, continuou o medo a inundava e agora já não conseguia alcançar a luz vivida, apenas a escuridão do lago. Abriu os lhos de maré brava na água negra, ardia e ela continuou. Então traiçoeiramente, ela caiu em um buraco perdendo de vez o pé. O desespero a dominava e estava confusa, via que não poderia escapar desta vez, já podia sentir a água invadindo seus pulmões e que o dia agora perdera totalmente o brilho, estava cada vez mais perto da escuridão, estava desistindo. Com um dos poucos fôlegos restantes ela saiu da bagunça e deu alguns passos a mais. Conseguia sentir agora seus pés na areia macia como seda. Subindo sua face ao sol, sentiu a esperança, continuou, agora o lago ficava cada vez mais raso. E então descobriu que a verdadeira inspiração não deveria ser aplicada a algum ser e sim a nós mesmos. Saiu então do lago caminhou novamente em rumo ao sol, só que desta vez apenas via um campo de trigo. Mesmo estando despida sabia que estava perto de casa

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