Há algum tempo, não tão longe como você pensa havia uma garota, quieta e solitária. Se isolara de todos, morava em uma praia, sua casa de frente para o mar. Tinha uma vida exclusiva, aliás qual vida não é ou se torna exclusiva, nossa unica dadiva, embora não seja duradoura o tempo compensa as falhas e os erros. Olhava pensativa as ondas que iam e vinham e o seu barulho transformavam tudo em uma mera melodia seguida de sofrimento.A menina, que não era especial e sim esquecida, sabia o que deveria fazer para ter paz, mas não tinha coragem. Então vários dias se passaram até que uma bela noite ela acordou, seus olhos negros como a noite e desesperados como a miséria olharam por todos os lados. Chegara a hora. Sentou ao lado da cama , começou a chorar,pensou em seus amigos e chorou mais ainda e então pronunciou em uma voz gritada . - PORQUE ÁS PESSOAS SEMPRE VÃO EMBORA? - Em uma ressaca moral, não daquelas de bebida e sim de cansaço. Tentou se levantar, mas batia em todas as mobilhas e assim continuou até o banheiro, pegou seu pequeno canivete. Um corte, dois, três e vários. O sangue tomava conta de seu lívido e quase morto corpo, mas não era suficiente. Foi para fora de casa , um revolver estava e suas mãos, mas seria muita covardia.Então começou a se despir, primeiro o vestido ensanguentado, ficando apenas de roupas intimas, logo tirou suas roupas intimas. A moralidade e o peso da sociedade agora estavam para trás. Entrou no mar, e caminhou até que que pudesse alcançar o sol que já estava nascendo. E então caira em um buraco, uma falha que o mar tramara contra ela a água inundara seu pulmão e tomava-lhe a vida. os cortes ardiam e ela finalmente sentia um prazer, o prazer da morte. E Então quando o sol finalmente se pôs em pé para acordar os amantes depois de uma longa noite de sono, ela abriu os olhos negros de ressaca e afundou para sempre no fundo do oceano, a onde a leveza e a graça da água a deixavam em paz

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